Nossas crianças e a saúde preventiva

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Por Edmond Saab Jr

Ao se falar em Saúde Preventiva, imagina-se um termo voltado a adultos, como se as crianças pudessem – e devessem – se alimentar de tudo. Poderia ser até coerente esta visão, desde que nossos jovens vivessem em áreas rurais, longe das delícias dos supermercados e fast-foods.

Nota-se a preocupação dos pais em garantir um desenvolvimento saudável, com bem-estar e qualidade de vida às crianças que se tornarão adultos um dia.

A primeira questão quando o assunto é saúde infantil está relacionada à amamentação e às medidas a serem tomadas na transição do leite materno a outros hábitos alimentares, que se formarão já a partir deste período para que se promova a saúde neste ser que está chegando à vida.

Como seria conveniente se exatamente neste período a criança já entendesse o que diz o seu Manual do Proprietário e pudesse falar… ‘mamãe, não faça assim; mamãe, eu quero isso; mamãe, não faça aquilo; mamãe, me dê isso”. Sabemos que isso não acontece…

Na realidade, a mãe que acaba de amamentar, na maioria das vezes, tem uma vida corrida e a indústria alimentícia colabora em facilitar a vida desta mulher com uma oferta enorme de produtos nas prateleiras dos supermercados. O caso mais famoso são as papinhas prontas, alimentos realmente sem vida, alimentos que já foram colhidos há muito tempo, armazenados, processados e de índice glicêmico alto, que fazem o açúcar subir muito na corrente sanguínea da criança. Uma sopinha muito mais nutritiva pode ser feita em casa, com alimentos vivos e frescos comprados na feira, ricos em antioxidantes, com ação anti-inflamatória natural, que vão realmente nutrir essas crianças, sem inchar o organismo de substâncias tóxicas, que sobrecarregam as funções hepática e renal.

Para entender a melhor forma de fazer esta mudança de alimentação em nossos bebês e garantir que a nutrologia faça a sua parte, que tal entrarmos no mundo infantil e contarmos uma historinha.

Imaginem que essa criancinha, com idade entre seis meses e um ano, soubesse falar, o discurso seria este…

“Olha mãe, no planeta de que viemos eles viviam assim como a gente aqui há 50  anos atrás. Será  que a senhora podia me fazer uma sopinha, nem que seja pra ficar pronta 2 ou 3 dias na geladeira?! Uma sopinha em que a senhora pudesse escolher uma água pura e alcalina, em que pudesse cozinhar vegetais frescos, se possível ainda orgânicos, sem agrotóxicos?! porque eu sou muito pequenininho, meu corpo fica muito fraquinho para poder metabolizar esses tóxicos todos, que fazem também meu aparelho digestivo sofrer.

”Então, mamãe, eu também não queria sobrecarregar meu pâncreas e ter que mandar muita insulina para esses alimentos de alto índice glicêmico… Então que tal uma sopinha com cenoura, verduras verdes ricas como couve, com mais legumes, como couve-flor, brócolis, com mandioquinha, que é rica em fibras e tem valor glicêmico menor que a batata?!”

Se fôssemos continuar com nossa história, a criança poderia falar “Mamãe, eu também quero a minha papinha de frutas”, que vão ser banana, maçã, pera, laranja, mixirica, morango, uva, evitando (não descartando) frutas muito doces, como abacaxi, melão e melancia, que também vão elevar o índice glicêmico muito rapidamente. Neste caso, as crianças podem comer isso uma vez por semana, mas não todo dia por causa do excesso de frutose, o açúcar da fruta.  E temos que lembrar de dar muita água a eles.

Como não estamos falando em dieta vegetariana ou lactovegetariana, não podemos eliminar da dieta do bebê ovo, leite, carne, carne de frango e peixe. A recomendação é que (se puder) seja oferecido, pelo menos para criança nesta primeira fase, um frango orgânico, um ovo orgânico, o leite de vaca natural de fazenda, não processado com produtos químicos.

Em suma, é como se a criança pedisse a sua mãe que lesse um manual para poder alimentá-lo da melhor forma. E quando digo melhor é melhor mesmo, aproveitando tudo o que a natureza fornece de bom para nos fortalecer.

Vamos avançar um pouco mais, pois essa criança está crescendo.

Após ser alimentada com sopinhas caseiras e não industrializadas, com o que há de mais natural, como legumes, verduras e frutas, o organismo infantil precisa se precaver dos inimigos que constam nas prateleiras dos supermercados e das farmácias. A referência agora é quanto às guloseimas.

Podemos inclusive nos manter no universo infantil e continuar nossa história…

Se a criança pudesse pedir “Mamãe, por favor, não me ensina a comer salgadinhos em saquinho; mamãe, por favor, não me ensine a comer doces feitos com açúcar refinado; mamãe por favor não me ensine a gostar de refrigerante nem de margarina e muito menos de frituras”.  Por que isso? Esses são produtos extremamente ácidos, capazes de alimentar fungos, destruir a flora intestinal e ocasionar muitos dos problemas contemporâneos ligados às crianças como déficits de atenção e hiperatividade. Comendo produtos naturais – e isso vale também para as lancheiras -, a criança vai conseguir sintetizar as proteínas de que ela precisa, os neurotransmissores.

Seguindo o projeto Manual do Proprietário, esta nossa história atinge todos os hábitos comuns, incluindo a medicação e a atividade física. Em relação aos remédios, é importante dizer que não é necessário dar analgésico e antitérmico (drogas químicas) para toda dor e febre que surgir. A criança poderia reclamar “Mamãezinha, meu fígado é ainda muito infantil para ter que oxidar substâncias tremendamente tóxicas”. E as crianças crescem e temos que ter a certeza de que elas necessitam sim de praticar esportes para não ficar obesas, não ter síndrome metabólica e oxigenar as células. É preciso ter horário certo para dormir devido à produção de hormônios neurotransmissores, e isso quer dizer sair da frente do videogame e computador tarde da noite, ter lazer com movimento corporal.

Tudo isso que aqui falamos ser ideal para as crianças, vale também para os adultos, a diferença é que o adulto pode fazer sozinho e o pequeno não… ele depende de nós, principalmente porque é complicado seguir tudo à risca convivendo com outras crianças e vendo todo mundo fazer o oposto. Não importa a idade, o que indico é que façamos um esforço para vencer esta inércia, que vem mecanizando o ser humano, e que se for posta de lado e começarmos a agir agora mesmo os benefícios são extremos e a curto prazo.

Vamos em frente! Cuidando de nossas crianças de maneira mais saudável, estaremos já influenciando hábitos benéficos. Criando conceitos adequados, se tornarão adolescentes ativos, com o organismo em harmonia plena, por meio de um caminho que já estará traçado, ou seja, aprendendo a se nutrir bem, a comer o que é certo e natural, a beber dois litros de água e a fazer atividade física, que garantirá a oxigenação completa e evitará a invasão dos monstrinhos que criam doenças crônicas e degenerativas mais à frente.

Esta é a sabedoria para o bom funcionamento do organismo hoje, amanhã e sempre.